Já se passaram sete meses, alguns dias e algumas horas desde o último beijo no aeroporto. O último abraço as pressas, o último eu te amo de perto e o último olhar quando, indo embora com a mala eu vi você entrar por aquela porta e nunca mais até então.
Lembro perfeitamente do caminho de volta até a minha casa e o quanto aquilo foi angustiante. Como eu segurei minhas lágrimas que mesmo assim, insistiam teimosamente em cair. Engolia. Engolia com força e mágoa por tudo que tivemos que passar.
Aquela noite inteira não foi diferente. Dormindo na casa de familiares estranhos, na mesma cama que no dia anterior a gente tinha dividido e sentindo um frio cortante, eu nunca me senti tão só. Passei a noite em claro, olhando pela janela e observando como a cidade é feia, mecânica e triste quando não se tem com quem dividir os sonhos. Não pude ouvir tua voz dizendo que tinha chegado bem e também, não esperava ouvir. Por mais cortante que aquilo tudo era pra mim, eu tinha que ser forte, ia passar.
Ia passar assim como todos aqueles outros tantos momentos. A chuva no parque, a noite de estrelas na praia, o cachorro e o bolinho de limão e as noites frias, que foram quentes e que eu nunca vou me esquecer.
Se eu sempre acreditei em conto de fadas? Claro. É padrão isso, é de se esperar. Mas tudo o que eu vivi, surpreendeu todos os contos de fada que sempre terminam pateticamente com um final feliz. Descobri que eu não preciso de um final feliz (o que é um final feliz?) e sim de uma história intensa. E isso eu tive, sem espaço pra dúvidas.
E dividi tudo o que eu sou assim. Me parti ao meio, por opção. O engraçado é que ao partir, não diminuí, eu me tornei maior, mais viva, mais humana até. Pude sonhar mais e os sonhos mais lindos possíveis, que não se limitam a histórinhas de amor e vão além de se mudar o mundo. Pude ser metade de um inteiro que eu nunca seria sozinha.
E ver a metade naquela noite tão fria, entrando por aquela porta com mala e tudo sem poder fazer nada, fez eu me sentir tão só. Mas vou esperar agora, quando o relógio der as doze badaladas ninguém me segura. Vou sair correndo, e em vez de abóboras e carroças encantadas, vou pegar o primeiro avião pra te encontrar. E não volto nunca mais.
"E o nosso amor se fez assim,
sem culpa de ser diferente
sem medo de não agradar.
Se fez forte nos piores momentos
E intenso quando menos se espera."
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.