A imprevisibilidade das coisas assusta. Sabemos que o dois vem depois do um mas nunca dá pra saber como o dois vai virar dois. Nunca, nós, seres humanos mortais, sabemos ao certo como tudo vai acontecer e se planejamos, os planos saem do nosso controle e se deturpam de tal forma que deixam de ser aqueles planos. São mutáveis, como os nossos sentimentos, pensamentos, como o que somos então.
Dia após dia não é difícil se tocar da lei da vida: Não há leis sobre o futuro, mesmo se colhendo o que se planta sempre, não dá para prever a maioria das coisas. Fogem do alcance das mãos e da imaginação e no fim paramos em um só pensamento: A vida é engraçada!
Mas ser verbo sem sujeito não dá. As ações acontecem e já que não podemos prevê-las, devemos fazê-las acontecer. Sem essa de ficar esperando a hora certa delas chegarem, sentados na frente da tv, ou do computador e só pensando. Pensamento sem ação é só pensamento, sem muita utilidade prática - funciona como fé sem obras, doce sem açúcar, essas coisas.
Premeditar as coisas nunca dá certo. Ninguém, por maior que seja o seu sexto sentido é capaz de ser vidente da própria vida. E conforme o tempo passa, isso se torna mais visível, cada vez mais.
Mas claro, imprevisíveis as voltas, como o dois chega depois do um e não se depois do um vem o dois. Digo isso porque é óbvio que se não dou valor a água, por exemplo, sentirei falta dela depois. Além do mais colho tomates quando planto tomates, ou seja: Colho o que planto, quando sei o que tô plantando. E na maioria das vezes não temos consciência do que plantamos em um determinado momento do passado, e isso é que torna as nossas colheitas e a nossa vida tão imprevisível.
"Se puder plantar pense antes
A colheita é logo depois.
e antes de colher fique alerta
Vais colher agora, o que antes foi."
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.