É sempre a mesma coisa. Todo dia acho um continente perdido dentro de mim. Um continente escondido em baixo de tantas águas que me fazem ser o oceano que eu sou.
Tantas descobertas e tanto escondido ainda que no fundo, bem lá no fundo não sei se termino com pedras, construções esquecidas ou se vou mais além. Distante de mim mesmo muitas vezes, me perco no eu que insistem que tenho que ser. Difícil querer viver de verdade quando se tem um papel a cumprir mediante uma plateia tão imensa.
Aprendendo todo dia a gente percebe que nunca vai ter certeza em grandes proporções de nada. Toda certeza se limita e se torna incerta dependendo do contexto no qual foi empregada.
Respirando, suspirando, pensando. Sempre procurando um algo a mais a gente segue.E vai indo assim, até se deparar com continentes gigantes perdidos e não poder calcular reação nenhuma. Nunca podemos.
Quando os pés, as mãos e o corpo mais a mente alcançam o que tava lá perdido, esquecido muitas vezes, é difícil aprender tudo de novo, relembrar. Parece um quebra cabeça complicado, onde as peças são difíceis muitas vezes de se encaixarem e exigem muito de nós.
Porém, se somos oceano, nos fazemos nas águas que livres, escolhem o caminho a seguir. Como as ondas trazem quase tudo de volta o que foi jogado dentro delas, podemos escolher mostrar ou não o continente perdido, os continentes.
Os meus, que diariamente encontro as vezes mostro, as vezes não. No fundo, só o mar sabe bem o que se guarda nas profundezas de um grande oceano.
"Multidões de sentimentos,
como onda batem, vem e vão.
E ao nosso contentamento
escolhemos, oceano
Se mostramos ou não."
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Roseiras.

"Dizer, à sombra de mil roseiras
Floridas, sobre a queda de flores
de folhas, de amores
que vivo até aqui,
que até aqui vivi.
Como os raios de sol
que incidem tanta luz,
reflexo do desejo de sentir.
Me trouxeram um sentimento
iluminado por si só
que brilha na noite,
enfeitando fantasias
estrelas mil, luzidas.
E aquela rosa que sob o pé
se fez brotar, exala o perfume
que só sente aquele
que tenta aprender a amar."
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Trem.
Da janela do trem via o tempo passar. Todos os dias, a mesma rotina, às margens do mesmo rio, as mesmas construções e a mesma cidade. Aquela gigantesca onda de prédios cinzas e carros e carros e carros.
Interessante mesmo era sentar naquele banco, em frente a janela como se tudo passasse em um quadro a sua frente. Ao som de Mozart, Bethoven e tantos outros sentia vontade de valsar; muitas vezes se sentia dentro de um grande filme clássico ou quem sabe, uma super produção latino-americana de um terceiro mundo esquecido perante tanta riqueza por aí.
Interessante mesmo e triste, era analisar cada um que sentava ali também, no mesmo vagão. O cansaço nos rostos não era escondido, era explícito, era fato. E a paisagem de fora não lhe negava, pelo contrário: mostrava descaradamente o quão irracional era o lugar em que vivia.
Aquele rio poluído com pouca vegetação ao redor, empurrado pela ocupação humana parecia gritar pedindo socorro. Fábricas e mais Fábricas soltando fumaças ou dejetos ao leito do rio se erguiam em suas margens enquanto, do outro lado o trem passava, com espectadores desatentos que não percebiam nem a feiúra de fora, nem a música de dentro.
Fumaça, prédios e tanta gente. Toda vez que descia do metrô indo à plataforma do trem pensava muito sobre tudo o que via ali de cima. Eram tantos os carros, as fábricas, as compras, a infelicidade. Infelicidade pois ninguém parava ali, ninguém pensava ali nem muito menos questionava o por quê. Apenas seguiam. Seguiam como cegas ovelhas, ovelhas mudas indo a caminho da destruição.
E de vez em quando, lá de cima, via o trem chegar correndo, silencioso de longe e seguindo os trilhos construídos para que por ali, ele pudesse passar. Talvez a vida fosse assim também.
Descia as escadas todos os dias e ia em direção ao trem. Sentava no banco em frente a janela e via tudo passar pensando também em quantas pessoas pararam pra ver tudo aquilo nos dias que se passavam ora quentes, ora muito frios. Sabia que em breve ia largar tudo aqui e não ia sentar no mesmo banco todos os dias, mas outras pessoas iriam ocupar o seu lugar.
E se perguntava afinal, quantas pessoas parariam para ver, sentir a tristeza daquele lugar. Quantas pessoas ouviriam aquela música.
"Embalando o dia-a-dia
a doce música,
a doce valsa da vida
Que não dizia,
não queria.
Só se fazia sentida
a doce valsa da vida."
Interessante mesmo era sentar naquele banco, em frente a janela como se tudo passasse em um quadro a sua frente. Ao som de Mozart, Bethoven e tantos outros sentia vontade de valsar; muitas vezes se sentia dentro de um grande filme clássico ou quem sabe, uma super produção latino-americana de um terceiro mundo esquecido perante tanta riqueza por aí.
Interessante mesmo e triste, era analisar cada um que sentava ali também, no mesmo vagão. O cansaço nos rostos não era escondido, era explícito, era fato. E a paisagem de fora não lhe negava, pelo contrário: mostrava descaradamente o quão irracional era o lugar em que vivia.
Aquele rio poluído com pouca vegetação ao redor, empurrado pela ocupação humana parecia gritar pedindo socorro. Fábricas e mais Fábricas soltando fumaças ou dejetos ao leito do rio se erguiam em suas margens enquanto, do outro lado o trem passava, com espectadores desatentos que não percebiam nem a feiúra de fora, nem a música de dentro.
Fumaça, prédios e tanta gente. Toda vez que descia do metrô indo à plataforma do trem pensava muito sobre tudo o que via ali de cima. Eram tantos os carros, as fábricas, as compras, a infelicidade. Infelicidade pois ninguém parava ali, ninguém pensava ali nem muito menos questionava o por quê. Apenas seguiam. Seguiam como cegas ovelhas, ovelhas mudas indo a caminho da destruição.
E de vez em quando, lá de cima, via o trem chegar correndo, silencioso de longe e seguindo os trilhos construídos para que por ali, ele pudesse passar. Talvez a vida fosse assim também.
Descia as escadas todos os dias e ia em direção ao trem. Sentava no banco em frente a janela e via tudo passar pensando também em quantas pessoas pararam pra ver tudo aquilo nos dias que se passavam ora quentes, ora muito frios. Sabia que em breve ia largar tudo aqui e não ia sentar no mesmo banco todos os dias, mas outras pessoas iriam ocupar o seu lugar.
E se perguntava afinal, quantas pessoas parariam para ver, sentir a tristeza daquele lugar. Quantas pessoas ouviriam aquela música.
"Embalando o dia-a-dia
a doce música,
a doce valsa da vida
Que não dizia,
não queria.
Só se fazia sentida
a doce valsa da vida."
domingo, 7 de setembro de 2008
Imprevisível
A imprevisibilidade das coisas assusta. Sabemos que o dois vem depois do um mas nunca dá pra saber como o dois vai virar dois. Nunca, nós, seres humanos mortais, sabemos ao certo como tudo vai acontecer e se planejamos, os planos saem do nosso controle e se deturpam de tal forma que deixam de ser aqueles planos. São mutáveis, como os nossos sentimentos, pensamentos, como o que somos então.
Dia após dia não é difícil se tocar da lei da vida: Não há leis sobre o futuro, mesmo se colhendo o que se planta sempre, não dá para prever a maioria das coisas. Fogem do alcance das mãos e da imaginação e no fim paramos em um só pensamento: A vida é engraçada!
Mas ser verbo sem sujeito não dá. As ações acontecem e já que não podemos prevê-las, devemos fazê-las acontecer. Sem essa de ficar esperando a hora certa delas chegarem, sentados na frente da tv, ou do computador e só pensando. Pensamento sem ação é só pensamento, sem muita utilidade prática - funciona como fé sem obras, doce sem açúcar, essas coisas.
Premeditar as coisas nunca dá certo. Ninguém, por maior que seja o seu sexto sentido é capaz de ser vidente da própria vida. E conforme o tempo passa, isso se torna mais visível, cada vez mais.
Mas claro, imprevisíveis as voltas, como o dois chega depois do um e não se depois do um vem o dois. Digo isso porque é óbvio que se não dou valor a água, por exemplo, sentirei falta dela depois. Além do mais colho tomates quando planto tomates, ou seja: Colho o que planto, quando sei o que tô plantando. E na maioria das vezes não temos consciência do que plantamos em um determinado momento do passado, e isso é que torna as nossas colheitas e a nossa vida tão imprevisível.
"Se puder plantar pense antes
A colheita é logo depois.
e antes de colher fique alerta
Vais colher agora, o que antes foi."
Dia após dia não é difícil se tocar da lei da vida: Não há leis sobre o futuro, mesmo se colhendo o que se planta sempre, não dá para prever a maioria das coisas. Fogem do alcance das mãos e da imaginação e no fim paramos em um só pensamento: A vida é engraçada!
Mas ser verbo sem sujeito não dá. As ações acontecem e já que não podemos prevê-las, devemos fazê-las acontecer. Sem essa de ficar esperando a hora certa delas chegarem, sentados na frente da tv, ou do computador e só pensando. Pensamento sem ação é só pensamento, sem muita utilidade prática - funciona como fé sem obras, doce sem açúcar, essas coisas.
Premeditar as coisas nunca dá certo. Ninguém, por maior que seja o seu sexto sentido é capaz de ser vidente da própria vida. E conforme o tempo passa, isso se torna mais visível, cada vez mais.
Mas claro, imprevisíveis as voltas, como o dois chega depois do um e não se depois do um vem o dois. Digo isso porque é óbvio que se não dou valor a água, por exemplo, sentirei falta dela depois. Além do mais colho tomates quando planto tomates, ou seja: Colho o que planto, quando sei o que tô plantando. E na maioria das vezes não temos consciência do que plantamos em um determinado momento do passado, e isso é que torna as nossas colheitas e a nossa vida tão imprevisível.
"Se puder plantar pense antes
A colheita é logo depois.
e antes de colher fique alerta
Vais colher agora, o que antes foi."
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