terça-feira, 4 de agosto de 2009

VÍRUS:



Vírus é uma partícula protéica que pode infectar organismos vivos. Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular.



É, de fato eles são perigosos, os vírus. Nem os notamos e quando vemos, já fomos atacados. Passam despercebidos até mesmo por alguns microscópios e, quando menos se espera estão por aí, contagiando e matando quem bem quiserem.
Os homens criam vacinas; conseguem controlá-los por algum tempo, as vezes um tempo realmente longo e mesmo assim, continuam a discussão sobre se são ou não seres vivos.
E então, como se renascessem das cinzas, de uma hora para outra, reaparecem, mais fortes, mudados; reaparecem mutações e driblam a vacina. Invadem nossas células e codificam o nosso DNA, colocam outras informações, invertem algumas funções celulares e quando vemos, estamos destruídos. São perigosos os vírus.
Mas precisamos deles, Quod me nutrit, me destruit se faz valer mais uma vez. Acontece que há um vírus que nos destrói a todo tempo, toda hora, em toda a nossa vida; Acreditamos precisar realmente dele, mas será mesmo?
Rouba-nos a vida, esse vírus. Destrói todas as potencialidades, possibilidades e nos faz reproduzir toda a sua lógica, sem parar. E o fazemos. Achamos que há males que vem para o bem e nos conformamos. É a vida, afinal - dizemos. Isso tudo por acharmos válido acreditar que é necessário viver assim. Não notamos que estamos infectados. E continuamos a reproduzir a informação posta pelo vírus.
Quase não temos desejos, ou se temos, conformamos com a idéia da utopia. E nos contentamos em ter os mesmos desejos que ele; a trabalhar para e pela realização desse vírus. Trabalhar mesmo, trabalhar e trabalhar.
Acabamos nos reproduzindo, como ele bem entende também. Se há a necessidade de muitos homens, nos multiplicamos. Se não há, matamos uns aos outros ou então, paramos de nascer. Ele sempre dita as regras.
Parece psicótico, mas não é. Um bom observador, já o teria notado. Mas não só: não basta observá-lo: precisamos mudá-lo e ainda mais: destruí-lo. Aliás, mudá-lo não seria viável, afinal, as mutações são apenas modernizações da lógica desse vírus, ou seja: ao final de tudo, seriamos destruídos do mesmo jeito.
Então, destruí-lo dependeria apenas de nós, já que esse vírus se nutre e se faz em nossas cabeças e corpos. Mas sabemos, vacinas seriam apenas provisórias já que no caso de aplicadas, de uma forma ou de outra, existiriam mutações, que sobreviveriam e colocariam em curso todo esse processo de parasitismo novamente.
Vírus, parasita e dinâmico: Eis a grande questão: Como desprendermos esse hóspede maldito de nossas mentes, se o próprio vírus nos faz crer que nos nutre e nos esquece de dizer - propositalmente, é claro - que nos destrói. E mesmo quando percebemos, achamos que tudo tem seu lado bom e ruim. Mas no caso desse vírus não há juízo de valor, já que o bom aqui é o mínimo necssário para aceitarmos e nos acomodarmos a pôr em curso a lógica que nos ditam.
Nossas células, infectadas, já não reclamam, já não questionam e continuam a reproduzir-se rumo a destruição.
O vírus, parece ter dado um xeque-mate absoluto no grande organimos social a qual pertencemos; parece triunfante ao radiar sua luz como se fosse o único Sol de todo o Universo. E nós, continuamos girando em torno dele, reproduzindo cada vez mais as informações codificadas em nossa mente e corpos sãs ou não. Não percebemos sequer o sentimento de nostalgia que nos acompanha desde que nascemos; o sentimento de que tudo, um dia já foi melhor. Corremos rumo a própria destruição, achando que realmente, o que nutre, destrói e tendo isso como natural e simples de se aceitar. Mas será mesmo tudo tão natural e simples assim?
Os vírus, são perigosos e esse, muito mais, do que qualquer outro vírus. Afinal, não se contentando em recodificar toda a nossa estrutura ele nos rouba a vida, por completo.
As vacinas, não adiantam mais. Para combater um vírus como esse é necessário pensar e pensar e pensar: as idéias devem ser perigosas e mais: audaciosas!


Será que conseguimos?

sexta-feira, 13 de março de 2009

Coisas.


As coisas me incomodam. Elas realmente chegam a me incomodar. Me incomodam, porque eu não sei o que são e porque se fazem tantas vezes assim. Sim, elas são grandes. Angustiam, oprimem e causam revoltam sim. Mas eu também sou as coisas; no fundo eu sou coisa também. E isso não é bom. Não me parece bom ser coisa e me fazer coisa em tudo o que vejo por aí. As pessoas se fazem coisa e nem ao menos pensam sobre as coisas! Onde foi que todas as coisas se tornaram coisas e se fizeram repetir enquanto coisas?
Parece um vírus. Sim, estamos infectados então. As coisas entraram em nós, desde os tempos de Drummond e mudaram nosso material genético; Tornaram-nos coisas. Fizeram, assim como os vírus fazem com as células de tudo o que existe: impregnaram-nos e ditaram as ordens; agora só reproduzimos as coisas, como as células reproduzem os vírus e sem saber nem o porquê.
E então nos tornamos coisas. Eu me torno coisa e nem entendo ao certo. Até entendo, sutilmente, mas de tão simples, são tão complexas essas coisificações. As pessoas nas ruas também são coisas. As cadeiras, a quadra da praça, o asfalto, o ônibus, o motorista, a farmácia e todos os remédios... Tudo, tudo se tornando coisa repetidamente coisa. Sem saber o que o são e como são, as coisas estão aí: com sua própria lógica, seus próprios valores e suas 'células' hospedeiras, que agora, já são coisas.
Então desci do ônibus e só vi coisas. Daí olhei pro céu e vi a Lua, linda por sinal. Olhei e pensei se a Lua era uma coisa como todas as outras coisas do mundo, assim como eu. Resolvi que não, que a Lua não era uma coisa, que ela ainda despertava algo que pudesse superar todas essas coisas. Resolvi que não! que nem tudo está perdido dentro desse mundo cheio de coisas, que há algo que ultrapassa a lógica irracional das coisas. Mas vi meu dedo. Meu dedo ainda era coisa. E resolvi que bastava decidir se eu era coisa ou se eu era Lua. Decidi ser Lua já que as coisas continuam me revoltando.



Não sou mais coisa. Sou Lua. E uma Lua disposta a refletir a luz do Sol. Que sol?
Aquele, onde se guardam todos os segredos...





... As coisas continuam me oprimindo, me angustiando e se reproduzindo por aí. Mas decidi que não sou coisa, isso melhora as coisas pra mim. Quero destruir as coisas. Quero ser e quero ver Luas em todos os cantos por aí.

domingo, 1 de março de 2009

Sobre reflexos mal refletidos.

Sei, ou deveria saber ou ao menos, creio que sempre achei saber que essa superestima que o homem se coloca todos os dias na frente do espelho ao se tornar um 'homem' de verdade não poderia fazer bem; nem muito menos real como se mostra.
Por mais que, ao ver seu próprio reflexo face a face, o observador não se goste, não se admire e nem tenha o mínimo de agrado pela própria imagem materializada ali, ele sempre achará ser dono de si, livre pra escolhas, livre pra pensamentos e até livre pra gostar de si ou não. É o que menos importa o 'gostar ou não de si', o que importa é se olhar nos olhos, você frente a você e dizer, com toda certeza: '- não importa o que sou, o que pareço ou o que eu possa parecer; Sou sujeito de mim mesmo e não devo nada a ninguém, afinal, sou dono do meu nariz!.' É sempre assim, mesmo que essas certezas sejam totalmente falsas; mesmo que essas certezas ditas a si mesmo cara a cara sejam carregadas de inseguranças escondidas por de trás de todo o 'parecer'. Quanto ao não dever nada a ninguém, é bem relativo. A sociedade aprendeu - ou nem teve tempo pra isso - a levar tudo pro economico e o 'dever' um abraço nem seja dívida. Ninguém precisa muito de abraços hoje em dia, é verdade.
Quanto ao 'não me importo com o que pareço' não existe mentira mais escrupulosa e sínica do que essa. Afinal, vivemos ou não na sociedade onde os homens se afirmam pelo que aparentam ser? Espectadores da própria história, mentem até mesmo pro próprio reflexo, esses homens! Mentem, porque até para o expectador denominado 'eu' pois não se deve vacilar: A vida é uma representação todos os dias. E se repete, se repete, se repete...
Quanto a afirmação 'sujeito de mim mesmo' posso dizer que não há nada mais inquestionado nos últimos séculos - Ou até mesmo, nos séculos de Homo Sapiens vividos até aqui - e muito menos algo mais sem nexo. Ninguém, nem um homem, por mais distante do macaco que seja e por mais que se intitule 'ser racional' é sujeito de si mesmo, nem da própria história.
Parece infundável dizer isso, mas não é. Seu reflexo no espelho é sempre mais real do que você e ao te ver, - repare bem na profundidade dos olhos dele, o quão são intensos - ele sabe bem que você não é o que diz ser nem o que quer parecer. Você até aqui não foi. Você até aqui não viveu.
Tudo isso porque a lógica que rege nossa vida e nosso jeito de se refletir é uma lógica autônoma, sujeita de si mesma, que anula todo e qualquer 'eu' que possa existir no humano.
Roubando nossas vidas dia após dia, essa lógica nos faz a cada segundo e cada vez mais, mercadorias, mercadorias e mercadorias; pessoas prostitutas que mais do que o corpo, vendem a vida e se conformam com os restos achando que os restos são o todo possível de um 'mundo cão' como o nosso.
Mundo cão. Taí uma coisa infundada! Ora, se somos tão 'sujeitos de nós mesmos' por que esse mundo é tão 'cão' assim? Gostamos de uma 'orgia masoquista' que envolve todo e qualquer ser humano existe? Com tantas opções de escolha, já que somos um 'eu' a dirigir nossa própria vida, gostamos tanto assim de sofrer?
- Ah! Mas a culpa não é nossa, é de quem tem dinheiro, é de quem tá no poder. Ou então do povo mesmo, que não escolhe bem seus representantes...
Sujeitos de si mesmos não colocam a culpa em outrem, fazem consciente o que querem e se relacionam conscientemente uns com os outros. Não precisam de representações e muito menos de culpar alguém. Aliás, tendo dinheiro ou não, ninguém é sujeito nesse palco de agora, ninguém age por si, enquanto ser humano. Não existe o 'mal' e o 'pobre coitado' como quer crer quem acredita que a culpa tá 'lá em cima', nas classes opressoras. Não existe pobre sem rico, nem rico sem pobre; logo são ambos, duas faces da mesma moeda.
Moeda; outra coisa aí que é sempre muito intrigante. Quem tem dinheiro, compra o que quiser, inclusive aparência e falsos reflexos. Quem não tem, se conforma. Mas ambos, pode notar, perdem sua vida, vendem sua vida e não vivem. Por dinheiro, abrem mão do ser sujeito histórico e se anulam, tornando-se mero espectros, sombras a alimentar esse 'mundo cão'.
'Mundo cão', cabe lembrar, que deveria ser comandado e mudado por todos nós, se fossemos sujeitos, se fizessemos a nossa própria lógica; mas não fazemos.
E a culpa não é da ambição humana de querer 'sempre mais dinheiro', da perversidade do humano ou de qualquer blá blá blá que se ouve por aí. Até porque, se fosse mesmo ambição, será que prefeririamos ser sempre 'zumbis' à podermos ser o que se quiser?
E continuamos a mentir falsas afirmações mediante nossos reflexos, por não querermos assumir que, dentro dessa lógica não são 'sujeitos de si mesmo' que dominam e sim, essa lógica abstrata, que se tornou, além de real, nossa própria realidade.
Reflexos continuam aí, todos os dias; e sempre mentindo ao se olhar nos próprios olhos sem ter sequer segurança no que diz; mas diz.
Da próxima vez, é bom que lembrem-se ao observar e olhar bem nos olhos do que se reflete ali, frente a frente, que sombras, sombras não têm reflexo.



Tira o tempo, que o tempo voa
e quem voa não tem lugar aqui
Se nos escapa, esse tal do tempo
Levanta vôo e a gente ri
Sem saber e nem questionar
Se há sujeito dentro de si.
Ou se o tempo,
o nosso tempo
está fungindo, e a gente aqui.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.