sexta-feira, 13 de março de 2009

Coisas.


As coisas me incomodam. Elas realmente chegam a me incomodar. Me incomodam, porque eu não sei o que são e porque se fazem tantas vezes assim. Sim, elas são grandes. Angustiam, oprimem e causam revoltam sim. Mas eu também sou as coisas; no fundo eu sou coisa também. E isso não é bom. Não me parece bom ser coisa e me fazer coisa em tudo o que vejo por aí. As pessoas se fazem coisa e nem ao menos pensam sobre as coisas! Onde foi que todas as coisas se tornaram coisas e se fizeram repetir enquanto coisas?
Parece um vírus. Sim, estamos infectados então. As coisas entraram em nós, desde os tempos de Drummond e mudaram nosso material genético; Tornaram-nos coisas. Fizeram, assim como os vírus fazem com as células de tudo o que existe: impregnaram-nos e ditaram as ordens; agora só reproduzimos as coisas, como as células reproduzem os vírus e sem saber nem o porquê.
E então nos tornamos coisas. Eu me torno coisa e nem entendo ao certo. Até entendo, sutilmente, mas de tão simples, são tão complexas essas coisificações. As pessoas nas ruas também são coisas. As cadeiras, a quadra da praça, o asfalto, o ônibus, o motorista, a farmácia e todos os remédios... Tudo, tudo se tornando coisa repetidamente coisa. Sem saber o que o são e como são, as coisas estão aí: com sua própria lógica, seus próprios valores e suas 'células' hospedeiras, que agora, já são coisas.
Então desci do ônibus e só vi coisas. Daí olhei pro céu e vi a Lua, linda por sinal. Olhei e pensei se a Lua era uma coisa como todas as outras coisas do mundo, assim como eu. Resolvi que não, que a Lua não era uma coisa, que ela ainda despertava algo que pudesse superar todas essas coisas. Resolvi que não! que nem tudo está perdido dentro desse mundo cheio de coisas, que há algo que ultrapassa a lógica irracional das coisas. Mas vi meu dedo. Meu dedo ainda era coisa. E resolvi que bastava decidir se eu era coisa ou se eu era Lua. Decidi ser Lua já que as coisas continuam me revoltando.



Não sou mais coisa. Sou Lua. E uma Lua disposta a refletir a luz do Sol. Que sol?
Aquele, onde se guardam todos os segredos...





... As coisas continuam me oprimindo, me angustiando e se reproduzindo por aí. Mas decidi que não sou coisa, isso melhora as coisas pra mim. Quero destruir as coisas. Quero ser e quero ver Luas em todos os cantos por aí.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.