Vírus é uma partícula protéica que pode infectar organismos vivos. Vírus são parasitas intracelulares obrigatórios e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular.
É, de fato eles são perigosos, os vírus. Nem os notamos e quando vemos, já fomos atacados. Passam despercebidos até mesmo por alguns microscópios e, quando menos se espera estão por aí, contagiando e matando quem bem quiserem.
Os homens criam vacinas; conseguem controlá-los por algum tempo, as vezes um tempo realmente longo e mesmo assim, continuam a discussão sobre se são ou não seres vivos.
E então, como se renascessem das cinzas, de uma hora para outra, reaparecem, mais fortes, mudados; reaparecem mutações e driblam a vacina. Invadem nossas células e codificam o nosso DNA, colocam outras informações, invertem algumas funções celulares e quando vemos, estamos destruídos. São perigosos os vírus.
Mas precisamos deles, Quod me nutrit, me destruit se faz valer mais uma vez. Acontece que há um vírus que nos destrói a todo tempo, toda hora, em toda a nossa vida; Acreditamos precisar realmente dele, mas será mesmo?
Rouba-nos a vida, esse vírus. Destrói todas as potencialidades, possibilidades e nos faz reproduzir toda a sua lógica, sem parar. E o fazemos. Achamos que há males que vem para o bem e nos conformamos. É a vida, afinal - dizemos. Isso tudo por acharmos válido acreditar que é necessário viver assim. Não notamos que estamos infectados. E continuamos a reproduzir a informação posta pelo vírus.
Quase não temos desejos, ou se temos, conformamos com a idéia da utopia. E nos contentamos em ter os mesmos desejos que ele; a trabalhar para e pela realização desse vírus. Trabalhar mesmo, trabalhar e trabalhar.
Acabamos nos reproduzindo, como ele bem entende também. Se há a necessidade de muitos homens, nos multiplicamos. Se não há, matamos uns aos outros ou então, paramos de nascer. Ele sempre dita as regras.
Parece psicótico, mas não é. Um bom observador, já o teria notado. Mas não só: não basta observá-lo: precisamos mudá-lo e ainda mais: destruí-lo. Aliás, mudá-lo não seria viável, afinal, as mutações são apenas modernizações da lógica desse vírus, ou seja: ao final de tudo, seriamos destruídos do mesmo jeito.
Então, destruí-lo dependeria apenas de nós, já que esse vírus se nutre e se faz em nossas cabeças e corpos. Mas sabemos, vacinas seriam apenas provisórias já que no caso de aplicadas, de uma forma ou de outra, existiriam mutações, que sobreviveriam e colocariam em curso todo esse processo de parasitismo novamente.
Vírus, parasita e dinâmico: Eis a grande questão: Como desprendermos esse hóspede maldito de nossas mentes, se o próprio vírus nos faz crer que nos nutre e nos esquece de dizer - propositalmente, é claro - que nos destrói. E mesmo quando percebemos, achamos que tudo tem seu lado bom e ruim. Mas no caso desse vírus não há juízo de valor, já que o bom aqui é o mínimo necssário para aceitarmos e nos acomodarmos a pôr em curso a lógica que nos ditam.
Nossas células, infectadas, já não reclamam, já não questionam e continuam a reproduzir-se rumo a destruição.
O vírus, parece ter dado um xeque-mate absoluto no grande organimos social a qual pertencemos; parece triunfante ao radiar sua luz como se fosse o único Sol de todo o Universo. E nós, continuamos girando em torno dele, reproduzindo cada vez mais as informações codificadas em nossa mente e corpos sãs ou não. Não percebemos sequer o sentimento de nostalgia que nos acompanha desde que nascemos; o sentimento de que tudo, um dia já foi melhor. Corremos rumo a própria destruição, achando que realmente, o que nutre, destrói e tendo isso como natural e simples de se aceitar. Mas será mesmo tudo tão natural e simples assim?
Os vírus, são perigosos e esse, muito mais, do que qualquer outro vírus. Afinal, não se contentando em recodificar toda a nossa estrutura ele nos rouba a vida, por completo.
As vacinas, não adiantam mais. Para combater um vírus como esse é necessário pensar e pensar e pensar: as idéias devem ser perigosas e mais: audaciosas!
Será que conseguimos?