Ela cai lentamente como se não fosse parar nunca de cair. Tem hora que explode em raio e luz, barulho de trovoadas e assusta os menos avisados.
Mas sua maior virtude é lavar. Lavar a tudo que vê pela frente, lavar a todas as coisas sem se importar com o quê se lava; assim que passa, leva e lava.
É por isso que quando cai, peço que lave as coisas mais escondidas dentro da alma, peço para que não as deixem secar nunca, não se deixem esquecer nunca e que permaneçam sempre floridas, vivas, como só a chuva pode deixar.
Ao mesmo tempo, peço pra não apagar o fogo que incendeia de forma encantadora as grandes paixões que impulsionam o mundo, aquelas sempre contrariadas que se fazem sempre um com o fogo e explodem. Peço a chuva pra não varrer a fogueira, não enterrar a fogueira e deixar arder o fogo, mesmo que se caia em água com toda intensidade.
E peço, como último pedido mais desejado que me ensine também a chover. Quero chover sem deixar de queimar e ser chuva sem deixar de ser fogo. Chover como nunca, como só quem é chuva pode saber. E queimar tão intenso que só quem se faz explosão pode sentir.