sábado, 27 de março de 2010

Roda Gigante.


Estavam numa roda gigante, ela e ele sem perceber. Não percebiam que o tempo era aliado das contrariedades da vida e que ao se contrariar, estavam vivendo como nunca.
Não era tarde, mas mesmo assim engoliam-se por absorver como último cada instante que passavam na roda gigante invisível. Ora voavam, ora caiam mas sempre, sempre engoliam-se.
Não faziam idéia da dimensão desses sentimentos que mesmo com o tempo são indescritíveis, permanecendo sempre intactos de definição. Era uma construção constante, um passo de cada vez mesmo que atropelado e contrariado. Era amor.
Mas não desconfiavam das pedras, talvez eram imaturos demais para enfrentá-las e para enfrentá-lo, esse sentimento, que nutre e destrói.
Havia o medo da entrega sem barreiras porque nem ele e nem ela eram todo amor. Temiam e não queriam ser. Ser todo amor era doentil, era demais, era quase um negar a si, um não ser. Enquanto o que mais queriam eram ser. Ser amplamente que só em liberdade irrestrita podemos alcançar. Liberdade, queriam, desejavam, sonhavam com a liberdade.
Na roda gigante, esquivavam-se por medo de se aprisionar. Era o medo intenso de não ser nada do que desejavam que faziam com que fugissem. Eram fugas individuais e conjuntas ali. Eram a fuga de todos nós, e de cada um.
Giro a giro da imensa roda era cada vez mais inevitável se consumir. Era o intenso que fazia do amor, fogo e da liberdade, vôo.
Aprendiam com o tempo, que amor e liberdade são contraditórios e por assim serem, são intensos quando se tornam um e sendo um permancem intactos de descrição.
Foi então que consumiram-se, engoliram-se como nunca por entender que liberdade e amor eram uma coisa só e não houve mais medo.
Não eram todo amor, é verdade. Mas construiam a cada giro esse sentimento que encandeia e se faz candura.
Ele e ela eram ali mais que pássaros, eram vôo.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.