quinta-feira, 15 de abril de 2010

hã.

Absorvi o que pude daquelas palavras, suguei com toda força aquelas palavras que não me diziam nada. Tentavam e aquela tentativa incontrolável de dizer alguma coisa foi a que me fez absorver palavra por palavra. Mas quando mais absorvia mais me via inundada de um vazio que só me puxava. Lamentei não poder fazer mais do que balançar a cabeça e ouvir. Ouvir o máximo que eu pudesse, ouvir cada palavra e tentar apertá-las até que dali saísse alguma coisa. Mas nada, nada acontecia. Eram só palavras vazias, coisas não inteligíveis, indecifráveis e vazias por si. Eram distantes e eu, eu só balançava a cabeça.
De que adianta dizer: - perdão, pode repetir. E começar tudo de novo, tentar absorver novamente alguma coisa daquelas palavras que não entravam, não se encaixavam, não diziam nada! E então, eu fingia entender e concordar com cada palavra. Não podia discutir aquilo que não dizia nada pra mim. Não podia discutir sobre coisas que me pareciam vazias, absortas e muitas vezes patéticas.
Comecei a sentir pena, compaixão. Não sabiam se comunicar, pobres homens, não sabiam dizer nada. E me senti estranha por querer gritar ao menos uma vez que todas aquelas conversas eram monólogos afinal, eu estava ali e não estava, eu era ali e não era.
Quis chorar, mas não haviam lágrimas e me surpreendi com a dor no peito que sentia. Surpreendi por ela ser tão grande e não querer sair.
Reparei um pouco mais e notei. Notei que não era só eu que não entedia nada, não era só eu que fingia! Vi diversas pessoas conversando e balançando a cabeça. Ora, era claro que elas estavam fingindo entender.
Então não me senti tão só, não era só eu que não compreendia, não era só eu que não absorvia, eram todos os homens. Todos, sem excessão, fingiam entender o que sequer escutavam atentamente.
Foi então que uma estranha sensação me invadiu. Pude ver que não só eu, mas sim todos os homens haviam esquecido a própria linguagem. Os homens haviam esquecido a linguagem com que os homens se comunicam. Não falavam entre homens, falavam entre coisas, coisamente.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.