sexta-feira, 16 de abril de 2010

sp.

Caminhei por entre aquela cidade como se descobrisse um mundo novo, não bastava apenas caminhar, eu tinha que sentir um pouco de mim naquilo tudo. Tinha também que sentir que tudo saía de dentro de mim ao mesmo tempo que me engolia. Era deveras aterrorizante, mas um terror que corroía sem que se percebesse. Era curioso e isso me atraía.
Aqueles arranha-céus arranhavam mais que os céus, arranhavam algo dentro de mim que não sabia o quê. Um quê de vazio ou de não preenchimento sempre relutava pra ser sentido, vivido e interagido no cotidiano. O que eu poderia entender daquilo tudo? Eu era só mais uma num todo tão conturbado.
Eram tantas coisas diferentes que a cabeça doía. Tantos anúncios e relógios que o amargo gosto de perde-se aos poucos pairava sempre, reinava sempre. E aquilo tudo parecia tão maior do que eu, aqueles prédios eram tão maiores do que eu mas não me deixei intimidar, acredite. Não me deixei intimidar dessa vez. Dessa vez tentei sentir o mundo nas mãos. Sim! Aquilo tudo, aquele amontoado de coisas cabia sim na palma da minha mão, pela primeira vez.
Olhei pros carros solitários e reparei, uma pessoa em cada um, cada uma fazendo alguma coisa pra passar o tempo no trânsito parado. Será que sonham, pensei. Será que sentem? Cada um é tão particular e é tão absurdo meu deus, tão absurdo pensar em como nos faz tão igual a grande máquina do mundo.
Reparei que a cidade das pluralidades e das milhares e milhares de pessoas era também a cidade da impessoalidade. Era difícil, muito difícil conhecer alguém ali. Eram só pessoas passando, muitas, muitas delas passando, passando e só. E não eram rostos apenas, eram rostos cansados, amargos com um certo sabor de desilusão. Até os sonhos, será que até os sonhos a grande máquina era capaz de roubar?!
Não tinha resposta pra todas as perguntas que ficaram martelando em minha cabeça enquanto andava por aquela cidade. Mas tinha em mim um desejo de mudar tudo aquilo, que de tão grande cabia na palma da mão. Tinha também o olhar curioso de menina que descobre o quão intenso é o próprio descobrir.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.