
Tinha sempre mais pra dizer, mas não dizia.
As palavras simplesmente não saim ou ela própria negava a si com um não expressar-se constante. Talvez soubesse que embora pudesse dizer tudo que guardava ali, era em vão.
Dizer o quê das coisas óbvias, afinal? Não era sua culpa se ninguém enxergava.
Calava-se e contentava-se em observar a reação do todo em relação a si mesma. Qual era o papel que cumpria na história? Qual era a história que escrevia no papel?
Meras abstrações. Não respondiam nada! Por mais que pensasse, pensasse, pensasse em tudo e isso e mais, tinha que correr no final.
E corria como louca, corria de encontro a um não-lugar, a algo que negasse tudo ali, que destruísse tudo aquilo que desmoronava de uma vez em cima dela.
Mas seus pés eram frágeis, embora ninguém soubesse ou houvesse reparado. Eles feriam demais, não aguentavam muito mesmo ela insistindo tanto em correr.
Talvez fosse hora de parar pra respirar e andar à passos firmes. O coração batia forte e o sangue pulsava como nunca. Apesar do medo quem decidia agora não era o tempo dos relógios e sim aquelas batidas profundas. Aquelas, do coração.