segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fardo.

Eu disse.
O fardo era pesado demais. Bem que avisei. As circunstâncias não ajudariam muito e eu agiria normalmente, por mais que não quisesse. Normalmente. Nunca de má fé.
Repugnei-me de mim mesma ao olhar-me frente a frente no monstruoso espelho que me engolia. Como eram tristes meus olhos! Eu, que nada mais era do que a absurda contradição entre estar vivo e não poder viver. Eu, que muitas vezes não tinha forças pra garantir o próximo passo. Renego, renego, renego e me calo. Isso não pode ser eu.
Mas eu mesmo disse,
disse sim.
Era tudo pesado demais e mais pesado do que a cabeça de um alfinete que guarda o Universo não poderia ser. Era isso, era bem isso o que eu sentia: um alfinete com um Universo concentrado, pronto pra explodir. Mas não explodia!
Não explodia e aí de mim! Aquele peso todo e eu e só. Era um pobre espírito que mal sabia dissertar sobre si mesmo.
Revigorava-me perceber a vida possível fora daqui.Ao mesmo tempo, ela estava aqui porque esse fora não era exterior, era apenas a negação do aqui e do agora e a destruição da caduquice tautológica e drástica que se faz. Revigorava-me saber que tudo pode ser diferente mas o alfinete continua aqui. Pesando e pesando e se fazendo parte minha.
Era pesado demais.
Mas continuaria a agir normalmente, só eu sei. Calaria pateticamente.
Covarde. Covarde e só. Ou não. Talvez as explosões tardem, mas nunca deixem de vir.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um pouco.


Tinha sempre mais pra dizer, mas não dizia.
As palavras simplesmente não saim ou ela própria negava a si com um não expressar-se constante. Talvez soubesse que embora pudesse dizer tudo que guardava ali, era em vão.
Dizer o quê das coisas óbvias, afinal? Não era sua culpa se ninguém enxergava.
Calava-se e contentava-se em observar a reação do todo em relação a si mesma. Qual era o papel que cumpria na história? Qual era a história que escrevia no papel?
Meras abstrações. Não respondiam nada! Por mais que pensasse, pensasse, pensasse em tudo e isso e mais, tinha que correr no final.
E corria como louca, corria de encontro a um não-lugar, a algo que negasse tudo ali, que destruísse tudo aquilo que desmoronava de uma vez em cima dela.
Mas seus pés eram frágeis, embora ninguém soubesse ou houvesse reparado. Eles feriam demais, não aguentavam muito mesmo ela insistindo tanto em correr.
Talvez fosse hora de parar pra respirar e andar à passos firmes. O coração batia forte e o sangue pulsava como nunca. Apesar do medo quem decidia agora não era o tempo dos relógios e sim aquelas batidas profundas. Aquelas, do coração.
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.