Estavam lá parados, estáticos como estátuas petrificadas. Olhavam o chão, e calados não sabiam ao certo o que fazer. Mas queriam fazer e isso, fazia diferença.
Juntos, porque decidiram. E decidiram juntos ficar unidos pro que desse e viesse, era estranho se deparar com obstáculos pela frente que enfraqueciam às vezes. Se sentiam tão fortes mas haviam cacos de vidros no chão. Dores eram necessárias, fundamentais.
Se perguntavam, cada qual do seu lado, o quê fazer. Passar por aquilo era nada se comparado ao que tinham pela frente. Caminho árduo. Escolha própria, escolha dupla e até mesmo, coletiva. De todos os seres humanos.
Havia sangue, lágrimas, haviam dúvidas, escolhas, gritos. O que quisesse havia ali, explosão de sentimentos e as vezes, falta de direção momentânea. O mundo sempre puxa pro lado contrário quando querem mudá-lo.
E palavras, palavras, palavras. Que seja. Ou não. Eram palavras desesperadas, as vezes, que queriam exprimir uma só frase, simples: eu te amo. E nossa! como é difícil dizer isso quando os pés estão em cacos de vidros e as mãos, apoiadas sobre a pedra que corta também, fraca de tanto se cortar. A primeira reação é sempre o grito, o desespero, a raiva, agonia, qualquer sentimento, menos o amor.
As vezes não era diferente com eles. Mas ia além. Porque o que sentiam superava qualquer coisa, qualquer sentimento, qualquer obstáculo. Era amor, isso bastava. Isso dizia tudo.
Tinham aprendido a ser forte, a enfrentar os próprios medos, a desafiar a si próprio, a lutar. Tudo isso porque sonhavam, sonhavam grande, sonhavam mais alto do que o mais alto dos prédios. Esses, movidos por simples papel, eles queriam derrubar.
E lembraram de tudo isso ali, acordaram do impasse, olharam dentro de si mesmos e viram, refletidos, cada um dentro do outro. Sorriram. Deram as mãos, cortadas, mas juntas. Pegaram a pedra que se empunha como obstáculo e jogaram ao mar. Ele se encarregaria de levá-la pra bem longe.
Continuaram a caminhar, chorando, sorrindo, sentido tudo e principalmente: amando, de mãos dadas. Sabiam que em breve isso ia mudar. Não seriam só mãos dadas, seriam um só.
"Face a face a dor,
amor
Venturas, desventuras
o que der na telha
Vontade de ser,
sentir
foi lá e fez,
tirou a pedra
abraço e chorou
e seguiu de mão dadas
com o eterno aprendiz."
Seja o que quiser ser, viva o que quiser viver, plante sempre o que desejar colher; Liberdade só depende de você.